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Policial / #autorização

Assassina só irá presa se secretaria autorizar

Delegado do 9º Distrito Policial, Franklin Delano, informou que caso precisa chegar ao secretário

Publicado 17 de Dezembro de 2014 às 22:01 pelo colunista Adelmar Neto ( Geral ).

O caso Gabriel Mendes, acompanhado ao longo de mais de onze anos, sempre reservou muitas surpresas. A maioria delas vinda do 9º Distrito Policial, a delegacia que à época concluiu um inquérito afirmando que o ex-estudante de História e ex-funcionário do Grupo Claudino havia se suicidado com três tiros no peito e uma pancada contundente na cabeça. Era o início de uma lenda urbana, que demoraria anos para ser resolvida e explicada.

Já nos tempos atuais, um caso que já teve dois julgamentos no Tribunal do Juri, chegou ao Tribunal de Justiça (TJ), foi ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e até ao Supremo Tribunal Federal (STF), todos com decisão contrária à condenada - à exceção do primeiro julgamento, que lhe foi favorável por uma interpretação errada da própria Justiça, - deram seguimento ao processo para que Elidiane Maria Barbosa Sousa fosse para cadeia cumprir uma pena de 16 anos de prisão, condenada pelo assassinato e pela alteração do local do crime.

MAIS UM ABSURDO
Última sexta-feira, no entanto, o delegado do 9º Distrito Policial, Franklin Delano, avisou à família de Gabriel Mendes que a condenada, hoje morando em Fortaleza, no Ceará - isso se ainda estiver lá - só seria presa se o secretário de Segurança, Luiz Carlos, fosse procurado para tomar as devidas providências.

Isso não deixa de ser um fato um tanto inusitado. Um secretário de Segurança, neste caso, passa a ter, portanto, mais poder do que um magistrado e sua ordem judicial, emanada com a expedição do mandado de prisão de autoria do juiz de Direito da 1ª Vara do Tribunal Popular do Juri, Antônio Noleto, e encaminhado àquele distrito.

O delegado alega falta de estrutura para cumprir a determinação. Na semana retrasada, Franklin Delano havia afirmado ao 180, por telefone, que iria ligar para os familiares de Gabriel Mendes, para juntos procurarem a instância superior da Secretaria de Segurança e tratarem sobre a execução dessa prisão.

Luiz Carlos - no Piauí, um Secretário de Segurança em final de mandato tem mais poder do que um juiz de Estado. Quando, então, sairá a decisão?Luiz Carlos - no Piauí, um Secretário de Segurança em final de mandato tem mais poder do que um juiz de Estado. Quando, então, sairá a decisão?

A ligação para a família não ocorreu, e se a psicóloga Raquel Mendes não tivesse se dirigido à delegacia, como orientada que foi para pedir providências, ela talvez dificilmente tivesse recebido esse telefonema.

A coincidência é que foi no 9º DP que se iniciou a lambança em torno desse caso, capitaneado pelo então delegado Miguel Vicente, que hoje está à frente do 22ª Distrito Policial, antes ocupado por Delano. O descaso, como se vê, continua.

A responsabilidade pela mobilização neste caso não deve ser repassada à família. Cabe ao delegado Franklin Delano procurar ser proeficiente, mesmo diante das adversidades - e elas não podem ser apresentadas visando justificar uma omissão -, para que uma solução seja apresentada à opinião pública.

O 180 apurou que o mandado de prisão encontra-se no 9º DP desde o início de dezembro e que Franklin Delano foi aconselhado a procurar o delegado Alessandro Barreto, responsável pelo Núcleo de Inteligência da Polícia Civil, com o objetivo de encontrarem uma saída.

Apurou também que, neste mês, de fim de ano, aquela delegacia só teria recebido até agora R$ 280,00 para gastos com combustível. Mas o contribuinte, como Raquel Mendes, não quer saber dos desmandos do Estado, quer saber das ações que ele deve prestar para ver cumprida a lei e o seu papel.

Juiz da 1ª Vara do Tribunal do Juri, Antônio Noleto. Ele vai acabar descobrindo que neste caso sua última ordem até agora não vale nadaJuiz da 1ª Vara do Tribunal do Juri, Antônio Noleto. Ele vai acabar descobrindo que neste caso sua última ordem até agora não vale nada

“SE DEPENDER DA ESTRUTURA DO 9º DP, ELA NUNCA VAI SER PRESA”
As informações que estão sendo repassadas ao 180 - que foi o primeiro meio de comunicação a atuar neste caso e acompanhou durante anos a peregrinação da família para fazer justiça -, são estarrecedoras, como a que afirma que “se depender da estrutura do 9º DP, ela [Elidiane Barbosa] nunca vai ser presa”.

Então, se a estrutura desta delegacia não é suficiente para se fazer cumprir uma ordem judicial, a responsabilidade passa a ser também de um outro setor da Polícia Civil, precisando, no entanto, que o responsável pelo DP comunique os fatos. Isso já foi, ao menos, feito?

Este setor é justamente o comandado pelo delegado Alessandro Barreto, que está à frente do Núcleo de Inteligência, órgão atrelado à delegacia-geral, que até o final do mês é comandada pelo delegado James Guerra.

Barreto é de Crato, no Ceará. Já foi agraciado com um titulo de cidadão teresinense. Vive em solo piauiense desde o ano em que Gabriel foi assassinado. E hoje a condenada vive no seu estado natal. E não vai acontecer nada?

As informações e retrospectiva sobre esse polêmico caso foram publicadas recentemente pelo 180, através da matéria “Após 11 anos, juiz expede mandado contra assassina de Gabriel Mendes”. A família de Gabriel Mendes finalmente passou a ter esperança de um desfecho para o assunto.Mas essa saga em busca da Justiça, como se pode ver, novamente é impedida pela polícia.

Delegado Alessandro Barreto. Será que ele já foi informado que um mandado de prisão começa a mofar no 9º DP, enquanto a assassina mora em seu estado natal?Delegado Alessandro Barreto. Será que ele já foi informado que um mandado de prisão começa a mofar no 9º DP, enquanto a assassina mora em seu estado natal?

A matéria mostra que o delegado Miguel Vicente e o perito Jerônimo Silva Filho já passaram para o anedotário dessa triste história que ceifou a vida de um jovem promissor. Quem serão os próximos a serem omissos diante de um caso que teve e ainda tem tamanha repercussão na imprensa?

Até por que, se a Polícia Civil não está fazendo o óbvio ainda hoje, não se pode dizer que ela evoluiu nos últimos 11 anos que se passaram, quando investigadores atestaram o que até leigos viram se tratar de um absurdo. Talvez em termos técnicos tenha evoluído, mas não em eficiência, para a família, ainda não.

ATÉ HOJE
Como fez há 11 anos e pelos muitos que se seguiram, ao procurar justiça para Gabriel Mendes, Raquel Mendes ainda continua deixando seus afazeres para mendigar e tentar fazer a máquina do Estado funcionar. Uma aberração.

É por isso que se vai começar a contar o tempo que o Estado vai resolver essa simples situação e voltar a divulgar as omissões de todos os envolvidos neste processo.

Ela foi condenada pela Justiça, mas vive tranquila lá na terra do delegado Alessandro Barreto. Essa inércia policial precisa começar a ser vista pelo novo secretárioEla foi condenada pela Justiça, mas vive tranquila lá na terra do delegado Alessandro Barreto. Essa inércia policial precisa começar a ser vista pelo novo secretário

A ideia que os agentes públicos que atuam neste caso passa, é a de que o Piauí ainda vive no estágio do “grito”, onde ou você, cidadão, grita, ou as instituições não funcionam.

O Estado falha em não por um ponto final nesse crime. O que se vai conferir é ainda por quanto tempo.

ALEGAÇÃO INCABIDA
Alguns dos responsáveis pela aplicação da lei ou da execução da decisão judicial estão alegando que o governo está em transição, daí as dificuldades.

Novamente erram em suas argumentações. Ações como essas, principalmente, na área de segurança, devem ser de Estado e não de governo.

Fonte: 180

Editado 17 de Dezembro de 2014 às 22:01 por Adelmar Neto ( Geral ).

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Adelmar Neto ( Geral )

Informando com responsabilidade.


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