PUBLICIDADE

PUBLICIDADE











Educação / #exterior

Jovem larga o ITA para estudar fora

Jovem larga até o ITA por vaga em universidade nos EUA; veja histórias

Publicado 18 de Abril de 2016 às 08:50 pelo colunista REDAÇÃO ALTOS NOTÍCIA.

Excelentes notas na escola, atividades extracurriculares e aprovações em faculdades norte-americanas unem a trajetória dos estudantes Carolina Guimarães, Renner Lucena e Vinicius Garcia. Em comum, os três também têm no currículo o apoio de uma fundação brasileira que ajuda jovens talentosos a tornar real o sonho de fazer graduação no exterior.

Com trajetórias promissoras, eles foram apadrinhados pela Fundação Estudar e passaram a contar com mentores que os ajudaram no processo. A fundação, desde 2010, oferece um programa gratuito de preparação para estudantes do ensino médio. Para 2016, há 30 vagas disponíveis. As inscrições estão abertas até o dia 18 de abril e podem ser feitas através do site da fundação.

O estudante Renner Lucena, do Maranhão, passou pelo programa "Prep Scholars", no qual os alunos são acompanhados ao longo de um ano por um mentor que já cursou graduação fora. Eles recebem orientação individualizada sobre os exames de proficiência - aqueles que não puderem pagar o valor das provas requeridas, como o Teste de Aptidão Escolar Americano (SAT), ganham o apoio financeiro da Fundação. 

Renner diz que o programa ajudou no processo de "application". “Recebi várias dicas e o mais importante, me ajudaram na preparação das minhas redações e cartas de recomendação. No primeiro texto que escrevi, minha mentora alertou que minha história poderia ser contada de uma forma bem mais legal. Realmente, a última versão da minha redação ficou muito melhor”, conta Renner.

“A Fundação avalia se você tem o perfil para estudar fora e também se você fez atividades extracurriculares. Eles também pedem para você enviar um vídeo contando um pouco da sua história”, conta Carolina Guimarães. 

A responsável pelo programa da Fundação Estudar, Carolina Lyrio, conta que desde 2010 cerca de 280 jovens de ensino médio foram apoiados pelo programa. Nesse mesmo período, o programa teve mais de 520 aprovações em universidades como Harvard, Yale e Stanford (considerando que o mesmo jovem pode ter mais de uma aprovação).

Renner Lucena, 19 anos, passou em Stanford (Foto: Foto: arquivo pessoal )Renner Lucena, 18 anos, mudou de cidade para estudar (Foto: arquivo pessoal )

Engajada mesmo antes dos processos seletivos
Nascida em Vitória, no Espírito Santo, Carolina Guimarães, de 19 anos, aprovada em Yale, Columbia e em outras cinco universidades norte-americanas, conta que, aos 12 anos, começou a cultivar o sonho de estudar fora, inspirando-se em seu irmão mais velho, Gabriel, de 22 anos, que hoje está em Harvard estudando Ciência da Computação. 

A aluna estudou em escola particular no fundamental. No ensino médio, migrou para o Instituto Federal do Espírito Santo, escola técnica onde cursou eletrotécnica. Carolina afirma que sempre gostou das matérias de exatas e que estudava matemática com prazer. Por questão de afinidade, pretende seguir esse caminho na faculdade, mas não decidiu o seu curso final.

A estudante participava de atividades acadêmicas, mesmo antes de decidir que iria estudar fora do país. “Sempre me preocupei com as minhas notas e acabou sendo um processo natural. Fui crescendo e criando projetos”

Em seu currículo, Carolina acumula participações em olimpíadas científicas desde os 8 anos. Ela também cantava no coral da escola, participava e criava projetos de pesquisa cientifica e já foi escoteira. “Fui escoteira até o 1º ano. Cresci muito, aprendi a trabalhar em equipe e a me preocupar com meio ambiente. É algo que chamou atenção durante o processo de application”.

Carolina Guimarães, 19 anos, representando o Brasil em Olimpíadas de Astronomia (Foto: Foto: Arquivo pessoal )Carolina Guimarães, 19 anos, representando o Brasil em Olimpíadas de Astronomia (Foto: Arquivo pessoal )

Carolina também criou uma série de videoaulas chamada Cálculo Zero, voltada principalmente para os alunos do ensino médio. “Decidi compartilhar com mais pessoas, filmei o curso e coloquei na internet.”

Na primeira semana de abril, a estudante foi para os Estados Unidos visitar as universidades nas quais foi aprovada, a fim de decidir em qual delas deve ingressar no 2° semestre. Carolina conta que os alunos que não puderam fazer as visitas também são ajudados através de um grupo no Facebook.

Orgulhoso de suas raízes 
Nascido em Imperatriz (MA), Renner Lucena,18 anos, estudou até o 9° ano na Escola SESI de sua cidade natal Imperatriz. No ensino médio, mudou-se para Fortaleza, quando conseguiu uma bolsa de estudos no Colégio Farias Brito. A escola é reconhecida por cursos preparatórios para o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, Instituto Militar de Engenharia e para Olimpíadas Acadêmicas no Brasil.

Renner Leite, 19 anos, passou no ITA  (Foto: Foto: Arquivo pessoal )Renner Lucena, 18 anos, passou no ITA no 2° e no 3° ano do colegial (Foto: Arquivo pessoal )

Renner narra as dificuldades de adaptação na nova escola. " Estudava doze horas por dia para acompanhar o ritmo da turma. ”

Desde janeiro, o aluno cursa engenharia eletrônica, no Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA) e em agosto vai para os Estados Unidos. “Foi muito bom cursar esse primeiro ano, porque chegarei com uma base muito boa em Stanford”.

O estudante recebeu quase 100% de bolsa em Stanford, universidade que sempre foi a sua preferida. “Eu acho lá sensacional. Fica perto do Vale do Silício, grande polo tecnológico. Além da faculdade ter uma política de empreendedorismo muito bacana”, afirma.

Ele conta que sempre gostou de matemática, física e química e no ensino médio ganhou destaque nas olimpíadas acadêmicas. “Tenho cerca de 30 premiações. A que mais me orgulho é de uma olimpíada Latino-Americana de Astronomia. ”

Renner é criador do projeto social em sua cidade natal que ajuda e motiva estudantes. No ITA, participa de um projeto educacional que auxilia jovens de baixa renda a ingressarem na faculdade. Ele também sempre jogou vôlei e chegou a ser professor substituto nas turmas do seu colégio, focadas em vestibular.

Renner acredita que o seu ponto forte durante o processo seletivo norte-americano foi a autenticidade. “Eu nunca quis omitir quem eu era. Uma das redações que mandei era sobre o meu amor pelo violão. Acho que isso pode ter mostrado minha essência. Sempre estudei muito, mas sou bem nordestino e consegui passar isso para eles. ”

No futuro, o estudante pretende trabalhar em empresas grandes como Google e Microsoft para, depois, retornar ao Brasil e trabalhar na tecnologia nacional. “Quero abrir uma empresa de tecnologia e também trabalhar de alguma forma com educação. Seja apoiando ou criando projetos que mudem a vida de outras pessoas, como aconteceu comigo”, conta.

Vinícius Garcia, 19 anos, em visita à Universidade Duke, nos Estados Unidos  (Foto: Foto: Arquivo pessoal )Vinicius Garcia, 19 anos, em visita à Universidade Duke, nos Estados Unidos (Foto: Arquivo pessoal )

Dez universidades na conta
Nascido em Belém, no Pará, Vinicius Xavier Garcia, 19 anos, foi aprovado em Stanford, Yale, Duke e outras oito universidades norte-americanas. Aos dois anos o estudante mudou-se para o Rio de Janeiro e estudou tanto no ensino público quanto no particular. No 6° ano, Vinicius foi admitido no Colégio Federal Pedro II, onde se formou.

O estudante conta que sempre gostou de todas as matérias na escola e não conseguia decidir definitivamente a faculdade que gostaria de prestar. Por esse motivo, chegou à conclusão de que estudar fora era sua melhor opção.

“Enquanto no Brasil é preciso que um adolescente tenha certeza daquilo que quer estudar antes de entrar nas universidades, nos Estados Unidos é possível que você passe seus primeiros semestres experimentando um pouco de cada área antes de tomar essa decisão” afirma.

No 3° colegial, ele chegou a prestar o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) e passou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em engenharia química, mas não se matriculou, pois queria focar sua atenção no processo seletivo norte-americano.

O estudante conta que sempre foi envolvido na comunidade escolar. “Aqui no Brasil não é comum alunos do ensino médio entrarem em contato com pesquisa acadêmica.”

Assim como Carolina, Vinicius foi para os Estados Unidos na primeira semana de abril para visitar o campus das faculdades em que foi aprovado.

Vinícius Garcia, 19 anos, em visita às universidades norte-americanas  (Foto: Foto: Arquivo pessoal )Vinicius Garcia, 19 anos, passou em 10 universidades norte-americanas (Foto: Arquivo pessoal )

Orgulhoso do seu país, Vinicius pretende expandir suas visões de mundo nos Estados Unidos para, então, retornar ao Brasil e investir na educação nacional. “Eu sempre digo para meus colegas que estou mais brasileiro do que nunca. Não estou abandonando meu país. Quero ter essa experiência para crescer e aprender muito. Nós, brasileiros, vamos justificando nossa fama de ‘complexo de vira-lata’, mas sou contrário a isso. Tenho muito orgulho do nosso país.”

Futuramente, o estudante almeja promover o conhecimento e fomento à educação. “Cheguei até aqui através da educação pública e muitos amigos meus estão seguindo caminhos incríveis. É possível, sim, ter uma educação de qualidade, oferecida gratuitamente", afirma Vinicius, que se formou em colégio federal. 

Editado 18 de Abril de 2016 às 08:50 por REDAÇÃO ALTOS NOTÍCIA.

Conheça o autor deste artigos

REDAÇÃO ALTOS NOTÍCIA

EQUIPE DE REDAÇÃO ALTOS NOTÍCIA


PUBLICIDADE










Notícias Relacionadas

MEC: Sisu será divulgado nesta segunda(30)

30 mil contratos do Fies não foram renovados

Piauí classifica alunos para final de Olímpiadas