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Chato

Crítica: Histérico, anacrônico e safado, "Chatô" é extremamente brasileiro

Publicado 25 de Novembro de 2015 às 10:47 pelo colunista REDAÇÃO ALTOS NOTÍCIA.

"Ih, corre, tá começando. Deixa ele entrar, deixa ele entrar!" Guilherme Fontes nunca tinha me visto, mas queria que eu assistisse a sua tão esperada quanto polêmica estreia como diretor. Aliás, depois de dezesseis anos, ele parece ávido para que todos assistam a seu "Cidadão Kane" tropical, um filme histérico, quase histriônico, algo delirante, que parece querer tomar para si algumas das características mais marcantes de seu protagonista, o magnata da imprensa brasileira Assis Chateaubriand.

A gestação de "Chatô, o Rei do Brasil", versão cinematográfica do livro de Fernando Morais, finalmente chegou ao fim e Fontes parece preparado para a chuva de críticas que são naturais diante da trajetória do longa.

Desde os créditos iniciais, em que imagens documentais entregam a cena para um Chatô vestido e maquiado como índio, falando de suas origens paraibanas e de sua natureza antropofágica, fica muito claro que o projeto é, em todos os sentidos, bastante ambicioso. Esta alegoria de abertura antecipa o tom que Fontes vai utilizar para construir sua personagem e seu projeto.

Seu Chateaubriand quer devorar o mundo e o diretor procura traduzir isso com um humor o mais brasileiro possível. "Chatô", em sua essência, tem uma safadeza inerente. Não uma safadeza ligada a sexo, mas uma picardia malandra, que deixa menores alguns dos problemas do filme, nem sempre claro em relação a suas ideias, como se o diretor usasse um pouco do jeitinho brasileiro para compreender sua personagem. 

Para fazer um filme importante, Fontes recorreu a uma série de recursos narrativos que tentam dar imponência à história. Além de uma montagem que embaralha a trajetória do personagem principal, o cineasta intercala momentos de delírio de Chateaubriand, que ganham tom de anedota, mas amarram o devaneio típico de seu homenageado.

Há uma grande preocupação com a direção de arte, com cenários que levam uns aos outros, atravessando a história de Chateaubriand em segundos, costurando um fluxo temporal próprio para o filme, um tanto confuso pela quantidade de informações históricas, mas principalmente ágil em sua arquitetura narrativa, se afastando do esquema tradicional e engessado de nossas cinebiografias.

Editado 25 de Novembro de 2015 às 10:47 por REDAÇÃO ALTOS NOTÍCIA.

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